Projeto SAF-Design no ACRE

de Adriana Meola Riemke

4 de março de 2019

Não há fronteiras nacionais para os esforços de recuperação e preservação da Amazônia. A parceira de especialistas de três países e dois continentes viabilizou o reflorestamento de áreas devastadas, trouxe de volta à mata algumas de suas plantas comestíveis originais e ainda possibilitou a rentabilidade sustentável para pequenos agricultores no Estado do Acre, extremo noroeste do Brasil.

A cooperação entre TodaVida, na Alemanha, a Universidade de Leuven, na Bélgica, e a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre, no Brasil, se deu pelo impulso gerado pela pesquisadora de sustentabilidade Bruna Todeschini Quadros, que escreveu sua dissertação de mestrado sobre os Sistemas Agroflorestais com ênfase nas chamadas PANCs, plantas alimentícias não convencionais.

Bruna Quadros

Univeridade de Leuven

Através do Programa Erasmus Mundus, a pesquisadora da Universidade de Leuven uniu-se a TodaVida no período prático e de finalização de seus estudos. Esta parceria entre março e dezembro de 2017 resultou na elaboração de arranjos de replantio da floresta com ênfase às espécies endêmicas. A Cooperacre, por sua vez, cuidou para que tanta sabedoria teórica se manifestasse em benefícios palpáveis e implantou as propostas dos sistemas criados por TodaVida e Quadros em comunidades da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, durante o ano de 2018.

Os Sistemas Agroflorestais (SAF) são técnicas de replantio da floresta que combinam espécies arbóreas com cultivos agrícolas, trazendo benefícios ecológicos e econômicos. Ou seja, as árvores podem levar seu tempo natural de crescimento, enquanto à sua sombra outras várias espécies de plantas se desenvolvem e garantem o sustento financeiro do pequeno agricultor a curto prazo.

Sistema Agroflorestal (SAF)

A tese de Quadros se diferencia por ressaltar a vantagem de se usarem espécies endêmicas nos Sistemas Agroflorestais para a recuperação e manutenção da floresta. Trata-se de plantas comestíveis originárias da Amazônia com extrema importância econômica, ecológica e social, mas que são desconhecidas, desvalorizadas ou ignoradas pelos moradores locais. Entre elas, estão espécies que poderiam facilmente se enquadrar entre as modernas „super foods“ com grandes chances de conquistar novos mercados, como a raiz Ariá, o tomate de índio Cubuí ou a fruta do Jacaratiá.

A recuperação da vegetação original e sua revalorização podem levar a índices mais elevados de sucesso do que os SAFs que têm baixa biodiversidade. Além disso, é indiscutível a importância do resgate de recursos genéticos da flora brasileira.

TodaVida desenvolveu os „arranjos“ para as propostas de Sistemas Agroflorestais apresentados na tese. Esses „arranjos“ definem a ordem espacial e cronológica de plantio de cada uma das espécies num SAF, considerando-se as plantas que se harmonizam e seus tempos ideais de plantio (ver quadro…).

Arranjo da Bruna - clique para aumentar

Os arranjos para os SAFs desenvolvidos por Bruna Quadros na TodaVida foram adotados pela Cooperacre e implementados em 10 áreas de comunidades da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Estado do Acre, no extremo noroeste do Brasil. Estas áreas foram avaliadas como financeiramente viáveis para a criação dos sistemas agroflorestais. Muitas delas se localizam no chamado „Arco do Desmatamento“, uma fronteira Amazônica conhecida por seus altos índices de desmatamento associado principalmente a atividades agropecuárias.

“You are only as big as your dreams”

Luis Villalobo

O projeto de restauração florestal no Acre através dos SAFs é trabalho de muitas mãos: a Cooperacre entrou com o investimento em sustentabilidade rentável; a dissertação de Quadros e a TodaVida, com o conhecimento científico; várias entidades ambientalistas governamentais e da sociedade civil deram apoio com seus recursos, como a WWF-Brasil, o Projeto Bem Diverso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

Os atores fundamentais para o sucesso dos SAFs são os povos da floresta e a população que mora na Reserva Chico Mendes. Essas pessoas vivem da agricultura de subsistência e da criação de animais em pequena escala e usam a reserva para suas atividades extrativistas tradicionais. A reserva garante o uso sustentável dos recursos naturais – ou seja, a mata é preservada em sua totalidade – e ainda possibilita a proteção dos meios de subsistência e da cultura desses povos.

previous arrow
next arrow
Slider

Impressões do projeto

A implantação dos sistemas agroflorestais que priorizam as espécies comestíveis nativas está mostrando que o conhecimento científico das questões ambientais combinado com os interesses do mundo empresarial pode gerar não só melhores oportunidades de negócios, mas principalmente promover a preservação da mata através de sua rentabilidade sustentável.

I want to buy!

Send us your contact information and we’ll let you know as soon as our shop goes online.

Quero comprar!

Envie suas informações de contato e receba aviso assim que a nossa loja estiver online.